quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Não pensei nisso

Um golo quando o otimista já tinha decidido que não era dia para si, a terra dos irmãos Laudrup a levar um choque de realidade. Metáfora de uma vida que por vezes parece mais uma representação de um caso de síndrome de Estocolmo em que no papel de agressora, a vida, num pequeno gesto de consideração no meio de maus tratos cria uma magia digna da persistência das próximas provações. Como a magia, esta excepção tem truque…
Mais um golo do melhor do mundo, o exemplo vivo de alguém que trabalhou no limite das suas capacidades na área que ama e que triunfou. Maldição ou benção, o atraso de vários anos em relação ao mundo, traz agora o sonho português. Trabalha ao máximo e conquista o mundo além fronteiras, o sonho português é grande demais para se manifestar “SÓ” em Portugal, os navegadores não descobriram boas praias em Portugal, mas sim o não explorado na vastidão do globo. Deviam criar uma série como os “Vikings” mas da Época dos descobrimentos, se fosse feita com uma fotografia semelhante os relatos sobre o nosso enredo em princípio até batem os Vikings…Mas para outro texto…
Neste texto comecei a andar com o carro sem destino, pensei voltar atrás quando parei para por gasolina ou quando percebi que a emoção e a memória não se criam em 5 minutos…Vou continuar a andar, numa incursão contra a apatia e é aí que te descobres. Quando a apatia deixou de ser solução, quando a previsibilidade deixou de ser segurança e passa a ser uma comichão, aí começas a esticar as tuas formas e começas a ver qualquer coisa. O medo desse “qualquer coisa” ser alguma coisa de embaraçoso ou de não ser normal e aceite também condiciona, mas quando pensas - que se foda e vais –Uma vez, duas, perdes a conta e não pensas que se foda, mas simplesmente não pensas para além da tua visão isso és tu e este texto também sou eu.



DN

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Desenvolver um texto em quatro minutos

Estou a tentar uma ideia nova, seguramente vou tentar outras vezes, resumidamente é:
 Num tempo limite (a definir pelo próprio) começar a escrever sobre qualquer coisa que te apeteça e não perder grande tempo a corrigir, porque vai roubar tempo da escrita e contrariar o objectivo. Tentar um texto tão puro quanto possível e perceber para onde é que vai a tua criatividade. Uma espécie de improviso em estilo livre, mas na escrita.
Neste primeiro ensaio fui pelo seguro e é mais descritivo do que livre:

"Este texto é uma experiência, consiste em durante quatro minutos
escrever sobre qualquer coisa que esteja a pensar sem rever frases ou
reorganizar ideias.
Acabo de chegar do novo ritual da hora de almoço, phones com ele, à
janela com a janela aberta a aproveitar este dia de sol que se perdeu
e veio aqui parar à zona dos dias frios. Em pleno Outono tenho passado
a hora de almoço com o Luís Sepúlveda. Temos uma conversa silenciosa
que ele não sabe que teve e que eu nunca antecipo como acontece.
Voltei agora a funções ainda com o bálsamo das grandes ideias no peito
a engolir golfadas de ar puro enquanto volto para a falta de ar que
são as pequenas preocupações, como ter dinheiro..."


DN

sábado, 25 de outubro de 2014

Ébola – a minha teoria da conspiração

Neste texto não vou aprofundar a minha opinião, vou misturar a minha opinião com a minha imaginação.
O Ébola já provocou milhares de mortes, sei que os primeiros hospedeiros do vírus foram morcegos que se alimentam de fruta (antes não sabia que existiam morcegos que comiam fruta), sei que quem descobriu o vírus, numa aldeia algures no Zaire, para evitar o estigma que ia provocar baptizar o vírus com o nome da aldeia deu o nome do rio que ali passava, o Ébola.  Taxa de letalidade entre 50 e 90% e sintomas iniciais parecidos com os de uma qualquer gripe, o que é um “miminho” para o pânico.Recentemente em Espanha, um missionário que foi contaminado em África morreu e uma das enfermeiras que o tratou foi o primeiro caso de contágio a acontecer já na Europa. Acho que não sei tanta informação de mais nenhuma doença.
A parte que me interessa, para este texto, é o que eu não sei. O cão desta vítima do vírus, história sobejamente conhecida, terá sido abatido pelas autoridades Espanholas sem se ter confirmado se estava contaminado. Escrevo terá  porque tenho muitas dúvidas sobre o que aconteceu. Supostamente não existem casos verificados em que um cão seja portador do vírus, embora exista a teoria de que podem transportar o vírus de forma assintomática. Agora temos um cão, fechado numa casa, portanto isolado naquele momento, que esteve em contacto com um humano infectado. Uma oportunidade de estudar de forma mais próxima o comportamento do vírus no animal, caso o mesmo fosse portador, eventualmente podíamos testar a possibilidade de se transmitir de animais domésticos para pessoas e vice-versa. As autoridades Espanholas e até as internacionais, não pensaram nisto…? Claro que pensaram!
O cão de certeza que não ia cumprir as regras de prevenção… Agora qual seria a reação das pessoas se soubessem que os cães podem transportar a doença e passá-la aos humanos? Á distância da televisão somos todos ponderados e tolerantes. Mas num cenário hipotético, imagina se a doença chegar a Portugal, sendo que a taxa de letalidade é elevada era possível acontecerem vítimas mortais. Imagina o pânico das pessoas quando ouvissem alguém tossir no metro, quando tivessem febre ou quando soubessem de alguém com sintomas,que recordo são numa fase inicial semelhantes aos da gripe. Quantos casos de gripe haverão só no Outono? Tudo isto instigado pelo medo espalhado pelos média.
Neste cenário de início de walking dead, imagina que os cães são um veículo silencioso da doença. Um cão de rua ia tornar-se o papão, o cão do teu amigo ia-te deixar desconfiado e o teu ia levantar um dilema moral e quando as coisas se colocam nestes termos, entre um cão e uma pessoa, na dúvida a balança ia pesar para o mesmo sítio em muitos casos e era um perigo do animal entrar em extinção. 

Acredito que o excalibur foi levado pelas autoridades para análise e para evitar a onda mediática e quem saber proteger os animais domésticos a história foi contada assim.  Complicado depois de tantas teorias que foram apelidadas de rebuscadas e mais tarde se confirmaram não ser(Como por exemplo escutas dos Estados Unidos ao mundo, quantos acreditariam “de caras” antes de se saber e quantos apelidariam de rebuscado?) é tentador especular.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O regresso do Blog II - Agora é pessoal!

Saber que alguns amigos conhecem a existência do meu blog fez-me imaginar que, num primeiro impacto, acabaria por trazer mais filtros no tema e na própria escolha de palavras. Pensei que quando voltar a escrever vou sentir-me demasiado consciente de mim próprio, excessivamente analítico e isso vai resultar num texto contrafeito de um texto escrito por mim antes destas novas condicionantes…Mas depois acabei de dizer o nome do blog a esses amigos e passou-me…
Se calhar durou um bocado mais do que esses três segundos, mas não muito mais. A opinião deles conta, mas não foi o que me levou a começar o blog. Para além disso eu não sei sobre o que é que eles querem ler. Nem sei o que se espera ao vir a este blog. Sei sobre o que quero escrever e mesmo isso nem sempre é claro. Só consegui identificar dois constrangimentos, o primeiro foi a necessidade de fazer uma referência a essa situação na minha introdução sobre o regresso ao blog e o segundo, o raciocínio de que faz sentido ser mais pessoal...Sem a ingenuidade de tentar dar respostas que não tenho, fazer por partilhar mais perguntas que tenho, sem escorregar para existencialismos ou tentativas falhadas de filosofia (até porque que isso já faço naquele bocadinho entre o fim da saída à noite e o ir dormir e não me queria estar a repetir com alguns deles).
 Já tenho dois textos escritos, estava a adiar esta parte da introdução porque, apesar de achar que faz sentido existir, não estava mortinho para a escrever. Esses textos vão ser postados ao ritmo da escolha de jogadores para o onze do Porto, um em cada dia..Agora para fim de texto, parece-me bem um:  adb864i&/(4FugU498()8g e aquele abraço!

DN

terça-feira, 10 de junho de 2014

É o Futebol

Está aí a chegar o mundial de futebol 2014 realizado na mãe adoptiva do futebol, o Brasil. Para mim a nível futebolístico não há nada de tão mágico como esta competição, principalmente quando Portugal participa.
Selecções de todos os pontos do globo, estilos de futebol dos mais variados, culturas completamente opostas, países com divergências históricas defrontam-se nos relvados à procura do brio e da glória. O mundo inteiro vai estar no Brasil, e nós vamos participar no mundial mais afectivo de sempre, esperemos que essa motivação funcione a nosso favor. Aguardamos também, que o Cristiano Ronaldo apareça em forma e completamente recuperado da lesão. E que jogadores como Moutinho, Coentrão, Pepe (até agora tocado) estejam também ao mais alto nível pois são vitais. Na minha modesta e suspeita opinião, William Carvalho deveria ser titular, pode ser importante contra a Alemanha defensivamente, e contra o Gana que é uma equipa poderosa fisicamente e que deu 4-0 à Coreia do Sul ontem. O nosso grupo não são favas contadas, apesar de não conhecer a equipa dos Estados Unidos tenho lido críticas elogiosas à formação orientada por Jurgen Klinsmann. No entanto penso que temos todas as condições teóricas para passar, temos é que jogar com garra, com alma, e os jogadores têm que estar à altura daquilo que são. Apesar de haver selecções favoritas, eu espero um mundial cheio de surpresas. Estou curiosíssimo para ver ver quase todas as selecções, com a Bélgica à cabeça. Tenho grandes dúvidas, será a Bélgica apenas um conjunto extenso de jogadores talentosos, ou um equipa com condições para chegar longe e causar uma grande surpresa neste mundial? Colômbia? Chile? Uruguai? Acho que há condições para também chegarem longe apesar de não haver Falcão, e de Vidal e Suarez chegarem em condições físicas duvidosas ao mundial. Vamos ter uma Inglaterra jovem, bastante atractiva na constituição dos seus seleccionados. Uma França também com qualidade, que só não a considero candidata ao título porque Ribery e Nasri não podem fazer o mundial por razões diferentes. Uma Argentina com Marcos Rojo é uma selecção que pode aspirar ao título mundial. Croácia Rakitic, Modric, Mandzukic, Srna, vamos ter surpresa já esta quinta na estreia do mundial?? Haveria muito mais a falar de mais equipas e provavelmente voltarei a escrever acerca do mundial. Que seja uma competição de futebol espectacular, de golos, de surpresas, de performances do outro mundo, que as estrelas que estão no mundial estejam ao melhor nível, e que acima de tudo tenhamos Portugal campeão do mundo. VAMOS PORTUGAL

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Cartão de visita: Pessoa Ocupada

Ando sempre a correr enquanto apenas ando. Agitação interna que quando exposta ao público provoca convulsões de sintomas de ocupação porque o nada não chega.

A percepção de não estar a fazer nada cresceu com o meu crescimento. Agora se estiver numa esplanada à espera sozinho vou estar a mexer no telemóvel a parecer ocupado, não vão os outros pensar que não estou a fazer nada…Se passar por um grupo de pessoas, estou à procura de qualquer coisa no bolso, não vá o júri sentir que estou pouco natural ou a andar mal...Durante uns tempos passeava com um dos Ferraris da ocupação, o tabaco, fazia-me estar sempre a fazer qualquer coisa paralelamente ao suicido gradual que se comete a cada bafo. Aqui quem quiser ser mesquinho pode perguntar o que é a vida se não um suicídio progressivo? Na minha opinião é viveres com intensidade muitas vezes…aí o tempo diluí-se na vida e com isso a ideia de inevitabilidade. Tens , por exemplo, semanas que passaram em horas para ti, mas tens segundos,como por exemplo quando bates com o carro, que parecem ter demorado mais que estas semanas. A discrepância reside na forma como vives o acidente sem preocupação com o que pensam ou com o que pareces, estas só ali, focado no que estas a viver e sensível a tudo o que envolve o momento. É para mim a diferença entre um tipo de vida e outro, a intensidade. És programado para antecipar o que os outros pensam, é cultural, desde as primeiras comunidades é uma fórmula que salva vidas e cria hierarquias, mas precisas de equilíbrio e de te esqueceres mais vezes deste lado. Viver acima de sobreviver..

Paradoxal, mas apenas é possível Viver, combinando a intensidade com equilíbrio, se levares à letra o carpe diem também és menino para falecer antes de puder experimentar muito do que esta no menu da tua vida...Mais contraditório, eu do cume da minha sapiência escrevo isto mas, vivo inquieto com tiques de ocupado a cada esquina da minha rotina. Estou empenhado em melhorar e ficar vulnerável a ser ridículo e estar desconfortável mais vezes, para ser mais parecido com uma melhor versão de mim,mas está difícil contrariar o meu próprio  movimento... Como diria um guru da comunicação num café ao ensinar-me um truque com elásticos: 

Treina Nobre, treina...  

DN

sábado, 31 de maio de 2014

Andiamo tchucharini

Quando a inspiração não toca à porta, há que abri-la e descer as escadas. Por vezes a dor de criar na escrita em momentos de claro deserto criativo, assemelha-se à dor de ir treinar ao ginásio num dia em que estás off. Normalmente ambas desvanecem à medida que o processo vai decorrendo. É preciso é ir, tentar, fazer, caso contrário o campeão voltou (a passividade, o conforto, a falsa segurança, a preguiça, estrelas de um plantel fortíssimo, difícil de bater).
A não tentativa é um paradoxo, uma ambiguidade pérfida, pois leva ao conforto imediato, mas conduz a uma frustração crescente e à desilusão a longo prazo. De repente damos por nós longe do destino a que nos propusemos vagamente, pois a não tentativa anda amiúde de mãos dadas com a vacuidade e a errância dos propósitos, tudo junto conduz a uma salada de pouco ou quase nada.

Nunca tive nada de tão sólido na vida como o tabaco e o álcool, aqueles com "quem" eu podia contar sempre independentemente da direcção em que o vento soprasse. Quando perdes um amigo e entras em conflito com o outro, as coisas não ficam mais fáceis, mas a esperança é a de que com o decorrer do tempo, outros amigos, verdadeiros amigos, daqueles de não te levam à morte mais cedo, daqueles que não te fazem sentir que está tudo brutal no momento, e que paulatinamente te vão consumindo cada bocado do corpo.

Quem conseguir fazer a distinção no momento na decisão imediata com o resultado a longo prazo no horizonte, e fazer disso uma rotina integrada, terá tudo para vencer, para chegar.



SP

quarta-feira, 28 de maio de 2014

E porque não?

Este vídeo é em português, 3 minutos e qualquer coisa, às tantas não sei se sou eu que me quero identificar e fui buscar significados ou se os significados me vieram buscar a casa. Podes sempre ver como é contigo, aqui vai o link:

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=6URCn7nFMk4

Voltarei a este tema um dia, quando me sentir com corredores mais iluminados.


Aquele abraço/beijinho.


DN

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Duas especulações e uma lição

Ponto prévio: É impensável pagar 20€ de taxa moderadora e 5€ centro de saúde!
É difícil de acreditar que uma consulta neste mesmo centro de saúde, para alguém que tem um sintoma que provoque qualquer tipo de mal estar de forma contínua,leva um a dois meses. Ainda nesta (ir)realidade, para algo que não seja uma urgência óbvia, parece haver um padrão que perpassa o percurso que tantos seguem. Após o tempo à espera para a 1ª consulta, passas pela primeira fase em que te é administrado um fármaco mais abrangente, depois nova consulta daqui a duas semanas, ainda com sintomas? Bem…Vamos tentar exames mais detalhados e novos medicamentos mais específicos para o sintoma que estiver pior, mais duas semanas. Agora vais mostrar os resultados e falar das reações ao medicamento, está feito o despiste já é aceitável marcar uma consulta para a especialidade e passaram quase dois meses…É possível  que do ponto de vista económico possa ser vantajoso para o estado,  não ires logo à especialidade nem fazeres exames muito caros, desistires consome menos recursos e obriga a menos empregados na área. As pessoas simplesmente acabam à espera de ver se se vai desenvolver para algo mais ou desaparecer. No caso de vir a ser algo mais e se tiveres a possibilidade, adquires um seguro de saúde, vais à especialidade no privado, fazes os exames e tens a atenção que compras. Não repetes o mesmo tipo de esperas para marcar consulta  e o preço não é assim tão diferente hoje em dia. No caso de não teres,tens de ter sorte como médico ou seres muito persistente e entretanto já passaram uns meses de avanço da doença.
  Quando tu te habituas a pagar por algo tão primário, fazem te acreditar que é indispensável que seja assim, amanhã a saúde é privatizada e tu dás como dado adquirido que era inevitável porque já estás a ser preparado há uns anos. Transportas a diferenciação do ter ou não poder económico também para este sector. Não é aceitável que, do ponto de vista mais mecânico onde começa e acaba a vida, sejas sujeito à aplicação deste tipo de paradigma como se fosses adquirir um serviço facultativo. Qual é o preço da saúde? O que diferencia um direito de um bem transacionável? Há uma igualdade sustentável na saúde?
Um ponto de partida para desconstruir qualquer proposta num sistema capitalista é fazeres uma pergunta de base, quem ganha com isto? As seguradoras passam a ser a garantia desse crédito para a saúde. Ora as seguradoras tendo a chave mestra, ficam com uma fatia grande do benefício desta “ideia”, mas estas instituições apesar de não serem imaculadas e terem poder,não parecem ter o peso necessário para algo deste género. A questão é  que resumidamente as seguradoras não são mais do que extensões de agências bancárias, a AÇOREANA é do BANIF a  OK TELESEGURO é da FIDELIDADE e são ambas da CAIXA GERAL e a TRANQUILIDADE e LOGO fazem parte do grupo BES, assim num esquema com uma matrioska de influências, torna-se um bocado mais razoável imaginar estas entidades com este tipo de poder…
Num sistema em que tem mais peso e poder de decisão o poder económico do que o político, condicionar o sector público de maneira a servir esta agenda, chocava tanto com a prescrição de multas no caso BCP.  A par da Sangria que se faz na Costa da Caparica, que também engana muito,tanto os seguros como a banca enquanto conceito podem ajudar, mal utilizadas podem ser muito perigosas. Todavia, pedindo emprestada a ideia de Freud,  a única força maior que a atómica é a força de vontade e tudo isto é alimentado por pessoas e pode ser mudado por pessoas que expressem essas vontades…(Menos em relação à sangria, ai não há nada a fazer, é não ir…)

DN


segunda-feira, 5 de maio de 2014

Há 14 anos atrás

Hoje revisito o passado, viagem longa, reminiscência distante, quase perdida no horizonte da memória.
O título do ficheiro é poema mongo, mongo, mongolóide, eram palavras muito em voga no estertor do século XXI. Já o título do poema remete para um final de adolescência atribulado. Mal eu sabia o que era a vida.

Desilusão

Eras pedra, transformaste-te em pó
Eras vida, … cedeste
Vivi para ti, ignoraste-me
Por causa de ti sinto-me só

Tanto esperava de ti, desiludiste-me
Melhor para ti, irias sofrer
Com a desilusão posso eu bem
Será que aguentarás o transtorno?

Iludi-me com a tua perfeição
Tu não reagiste à minha paixão
Perdeste-te na tua confusão
Espero que não durmas em vão…

Do sol vive a vida
Da ilusão vivi eu
Tempo perdido ou não
De certeza que mais virão


domingo, 4 de maio de 2014

Vade retro Insomnia

Hoje vou discorrer neste blogue, acerca do meu maior problema da actualidade, e do último ano: insónia intermédia. Escrevo este texto por mim, e se alguém com o mesmo problema o ler, ficarei feliz se conseguir ajudar, seja com este ou com um futuro texto (pois espero daqui uns tempos publicar um texto já com o problema resolvido e com as soluções que terão sido postas em prática).
Adormecer não é um problema na maior parte das vezes, a dificuldade ocorre no acordar durante o sono, uma, duas, por vezes três vezes por noite, o que torna o descanso pouco reparador, e castra a capacidade mental no quotidiano. Como devem calcular isto torna-se desesperante em algumas ocasiões, mormente quando sentes que fazes tudo ou quase tudo o que a informação pericial te indica: não beber café depois das 16h, usar horários regulares de deitar e acordar, não ver tv antes de deitar, não comer refeições pesadas à noite.Sou um praticante regular de exercício. Até deixar de fumar deixei, há 2 meses, depois de 17 anos a fumar com um interregno de 3 anos pelo meio. Actualmente o que ando a pôr em prática é não sair à noite, nos últimos 2 fins-de-semana não saí e tentei manter a tal regularidade. Ainda me faltam gastar alguns cartuchos, como limitar o número de horas na cama, e usar o quarto só mesmo para dormir. A partír daí só me resta ajuda profissional, pois o sono é demasiado importante para a saúde, e para a prossecução dos objectivos.
Voltarei a este tema mais à frente, espero que ainda este ano.



Cumprimentos e muita força,

SP




sábado, 3 de maio de 2014

Homenagem à Frau

A tua dona não vai saber que eu fiz isto, como não soube a confusão que me fazia a tua existência quando te apresentou e como não soube o quanto estranhei a tua ausência no fim.

Frau, diminutivo do alemão Fraulein, qualquer coisa como senhorita em português e eu até há pouco tempo pensei que queria dizer princesa. Tão apropriado que era quase perfeito. Para além de Fraaaaau ser, por coincidência, muito parecido a pôr por escrito o som do miar de um gato...Havia ali qualquer coisa de aristocrata na maneira desta gata existir. A gata não se alterava, tão típico das princesas para quem alterar-se era demasiado mundano e era contra o tipo de comportamento que deviam exibir em público,ela raramente se "irritava" ou estava demasiado entusiasmada. Esta gata não vinha constantemente contra a tua perna ou miava para te chamar a atenção, parecia não precisar dela e de alguma forma dá-la por garantida. A Frau não gostava da rua, vinha à janela, poderia vir à zona das escadas mas não se afastando mais que 50cm da porta da entrada em nenhum momento, vivia no seu palácio e misturar-se com os da rua era um disparate no qual não acreditava. 

Esta gata conseguiu desconstruir para mim o mito de que devemos desconfiar de todos os gatos porque são traiçoeiros. O mito que a religião cristã criou para diabolizar um símbolo da cultura egípcia, cultura essa que tinha uma abordagem pagã oposta ao sistema de crenças cristão (os gatos eram sagrados no Egípto e havia a deusa Bastet que era um gato). Aliás, como de resto diabolizou outras tantas figuras de culturas diferentes com o mesmo objectivo. Por exemplo o Deus grego Poseidon e o seu tridente antecedem o que na cultura cristã veio a ser utilizado como um acessório da figura do Diabo,não a pondo à frente ou atrás de outras religiões mas este mito deixou de funcionar comigo. A Frau rompeu com alguns medos que foram incutidos na minha educação e com o tempo conquistou-me, tornando-se uma gata anti-stress a quem volta e meia pedi emprestado o pelo para, com umas festas, destilar alguma azia que os problemas traziam. Entretanto o meu pai comprou um desperdício de tapete a quem chama gato, uma reencarnação de Lúcifer que me fez perceber ainda melhor que esta gata era incrível. Por isso este texto também não é para ser percebido como uma exaltação dos gatos.

Passou mal nos últimos tempos, mas lutou que nem uma campeã, soube há pouco tempo que morreu passados uns 15 anos. Este texto não é para ela, porque apesar de incrível nunca deu sinais de saber ler. O texto é para mim, é uma tentativa de dar alguma resposta à estranheza de saber que morreu A Gata e saber que sou dos poucos que pode perceber o que quer dizer o que digo quando digo que: Um dia gostava de ter, não um gato,mas uma Frau.


DN


quinta-feira, 1 de maio de 2014

1º de Maio

         Estreio-me neste blogue com a sensação de quem vai para o primeiro dia de ginásio não fazendo desporto há bastante tempo. Há largos meses que não escrevo nada.
         Hoje é um dia bastante simbólico, é o  dia do trabalhador. Um dia celebrado como feriado em diversos países pelo mundo fora e cuja origem do mesmo remonta a 1886 derivado a uma gigante manifestação ocorrida no Estados Unidos da América por trabalhadores que exigiam a redução da jornada de trabalho para 8 horas. Em 1890 finalmente o congresso americano acedeu às pretensões dos trabalhadores americanos. Curiosamente o colosso norte-americano nunca reconheceu o 1º de maio como feriado. 
              Nos dias que correm, ter trabalho é considerado, de certa forma, um privilégio. Pessoalmente, considero que a palavra privilégio deveria ser usada quando o indivíduo tem um emprego em que se sente bem, seja pelo que faz e/ou pelo que ganha. Mas a doutrina do obscurantismo, cujas elites económicas e políticas reproduzem geração após geração encontram-se mais eficazes que nunca. Conforma-te pois tens vivido acima das tuas possibilidades, tens sonhado acima das tuas hipóteses. Austeriza-te pois não és um valor acrescentado. És um parasita que tem de alimentar a máquina, e que mais na tarde na velhice se tornará dispensável. 
                  Termino dizendo, que precisamos de mais 25 de abril, de mais 1º de maio, infelizmente julgo não ser possível tão cedo. A máquina está demasiado bem oleada. Eles comem tudo Zeca.





sexta-feira, 25 de abril de 2014

Largo do Carmo

Hoje senti-me um estranho na minha cidade. Perdido também geograficamente mas confuso por estar no meio de qualquer coisa que quase se podia tocar e não conseguir perceber a sério o que me rodeava. Curioso,completamente desperto para tudo, vício de me tentar orientar por referências que me possam situar para avaliar por comparação a qualquer coisa e tentar compreender, mas ao mesmo tempo sem saber a que estar atento por isso sempre a escorregar para o desequilíbrio. Vivi mais do que compreendi.
Tive a sorte em herdar a liberdade que foi conquistada por alguns dos presentes nesta comemoração e por outros que já não se vêem, mas não vivi em ditadura e não vivi a vitória de sair dela, apenas desfrutei. "Eles" que viveram essa ausência de liberdade estavam lá com a voz embargada e na alegria que a comunhão de estado de espírito traz. Deixando para outros textos a discussão do conceito mais lato de liberdade, dúvida legítima,mas que em si é um luxo dos tempos modernos. Naquela altura era claro e consensual o que era liberdade, mais fácil de definir por oposição ao que viviam. E perdoem-me o meu francês mas só me lembro de um: - Foda-se, muito obrigado pela referência que é ver alguém disposto a morrer por um ideal, por um valor partilhado e não viver uma vida inteira orientado para um valor individual. Sem hipocrisias ou superioridade moral, também fui formatado para ter como referência o que os meios de comunicação me dão e o que a escola me ensina. Não posso é ter medo de assumir que vou lutar por mais que isso- O 25 de Abril também é literalmente quando um homem quer.
Acabo com um ponto de exclamação em forma do poema desta Senhora:

"25 DE ABRIL

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo


                         Sophia de Mello Breyner Andresen"

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Vĩo Molher Siso

Todos os textos de alguma maneira vão reflectir interesses de quem os escreve. Assumindo a forma de preocupações, desejos ou curiosidades vamos viajando através da inspiração e o título foi composto por palavras chave que nos inspiram.
Em português arcaico porque representa algo que antecede a língua portuguesa actual, sendo que a origem da nossa língua foi o latim e o latim esta presente em alguns textos do nosso blogue original, decidimos que esta passagem para o novo blogue era bem ilustrada pelo arcaico para introduzir o contemporâneo.

Feita a nota introdutória...
Criar um perfil é complicado. Para a maior parte das pessoas que usa internet esta questão já se colocou há algum tempo com outras redes sociais e talvez já não se recordem, mas a ideia de te definires nos vários parâmetros e de criares quase um mini-curriculum de gostos e visões pode ser complexo. Quais são os teus filmes preferidos ou músicas? Raramente se pensa nisso, a não ser que sejas uma figura pública que nas entrevistas tem de ter um discurso mais ou menos preparado para a imagem que quer projectar. Não há respostas certas ou erradas, tu não consomes os filmes ou músicas e colocas numa hierarquia pensada e completamente organizada. Comparar filmes de terror a comédias ou romances a ficção científica quando gostas de vários géneros é tão desnecessário com irreal. Nem nos Óscares isso é bem feito na minha opinião e são bem mais especialistas que eu...Mas para ti é importante seres coerente com a imagem que tens de ti próprio,o problema é que isso às vezes entra em conflito com a imagem que vais passar para os outros ao escolheres alguns filmes e afinal de contas é para os outros que estas a escrever..Vou propor uma solução para esta parte dos filmes, o critério mais perto de ser justo é pensares na quantidade de vezes que já viste o filme e ires por aí (excepção feita ao cinema animado e filmes para adultos, porque afinal de contas nunca se põe tudo na net) vai dar mais ou menos as escolhas certas.

Para a música este modelo não se pode aplicar, consomes de maneiras diferentes e é mais permeável a mudanças. Por isso para a música não posso ajudar, mas se ainda não há um site com respostas se puseres músicas para perfil no Google não podem ter uma expectativa irrealista da utilidade deste blogue...


Bem importante, amanhã fazemos 40 anos do 25 Abril de 1974, mas os parabéns antecipados já deram azar muitas vezes, por isso vou viver primeiro o 25 de Abril de 2014 e depois logo se vê.

Liberdade e aquele abraço




terça-feira, 30 de Julho de 2013

Sem título

Hoje fui dos últimos a sair do ginásio, nunca tal me tinha acontecido. O ginásio fecha às 22 horas e às 21:50 éramos cerca de 10/12 pessoas lá dentro a tocar os últimos acordes. Para um ginásio que costuma ter, com regularidade, cerca de 80/100 pessoas, esta foi uma experiência diferente, mais intimista, sem o corrupio das horas ditas normais (já nem digo de ponta, porque aí é o caos e a espera para fazer cada exercício é exasperante, tornando pouco prazerosa a experiência de ir ao ginásio). Senti-me bem, é uma experiência a repetir, e para adensar ainda mais esta experiência, saí do ginásio e fui envolvido por uma brisa tépida, inspirei fundo várias vezes, parei, olhei para o céu feito maluquinho no meio da rua na esperança de ver um céu alentejano, e depois pensei "que ingénuo, estou em Lisboa". Cheguei perto do carro rapidamente e já sabia que a partir do momento em que entrasse no carro iria direito a casa e o dia terminaria aí. Tentei arrastar ao máximo o processo de entrar no carro. Olhei para o telemóvel, vi uma chamada não atendida da minha mãe. Liguei-lhe, quis falar ali com ela, fora do carro, quis inspirar aquela temperatura amena enquanto trocava um diálogo prosaico com ela. Entrei dentro do carro, liguei o motor, e comecei a descer à rua em direcção ao lar. Na cabeça estava a vontade de ir directo à praia, apesar do adiantado da hora. Faltou-me a coragem e imperou a lógica, o excesso de racionalidade que tantas vezes é necessária para a vida ser equilibrada. De um lado a vontade, a sensação, do outro os óbices: trabalho no dia a seguir e acordar às 8 da manhã, o ter que preparar a comida para o dia seguinte, o dinheiro gasto em gasolina por uma hora na praia, o ir sozinho. Não gosto da vida com estas amarras, mas neste momento este tipo de racionalidade é um mal extremamente necessário e edificador.
Por vezes o barco necessita de ficar ancorado algum tempo antes de se lançar ao mar, e aí começa a aventura, pegas no leme e navegas, deixando o mar e o vento fazerem o seu papel, não há amarras, há bússolas e mapas que horas usas ora guardas, há mundo por desbravar, a descoberta, uma das mais belas coisas da vida.

sábado, 20 de Julho de 2013

Os meus Pés


Após o interregno necessário para uma reflexão profunda, o tema para o meu próximo texto foi finalmente definido. O rufar de tambores que antecede momentos altamente empolgantes e de alguma tensão, tais como este , desta vez não será utilizado porque o tema é mencionado no título, sim…Será um texto sobre os meus pés.

A epifania surgiu, quando o meu irmão, um observador nato, após ouvir da pessoa com quem partilha muito do adn a dizer – este é o terceiro par de chinelos que me faz uma ferida nos pés...  - reagiu com a perspicácia de um - Mano, tens os pés mesmo feios!  – fazendo me imediatamente ficar melhor da dor, ao perceber a metáfora que ele me quis mostrar e que me atropelou na forma daquela situação.

Os meus pés são bastante funcionais, mas não correspondem ao ideal de beleza que tem sido definido e veiculado nos anúncios de cremes para o corpo. Os dedos não são completamente direitos e alguns, os chamados ” médicos ”, podem argumentar que tenho um dedo consideravelmente  maior que os outros nove. No entanto, os meus pés têm o nível de fragilidade de um recém nascido. Fico com pequenas lesões com muita facilidade, a areia da praia faz me confusão, tenho cócegas e faz me impressão que me toquem nos pés em geral. Há muitas pessoas que se passeiam com pés de uma beleza convencional e mais consensual, mas que quase nem se lembram que têm pés, não apresentando nenhum tipo de sensibilidade, mal olham para os pés e só se lembram deles para comparar com alguém que acham que tem os pés feios.

A metáfora que me parece completamente inequívoca na observação do meu irmão, é em relação à maneira como nos relacionamos com  beleza, quando a vivemos de uma perspectiva quase competitiva. Sabendo que será redutor para alguns, em ambos os lados do exemplo, é necessária a generalização para explicar o ponto de vista.

 Os que têm uma beleza menos óbvia acabam por senti-la com mais intensidade, ou na procura de se aproximarem mais dos estereótipos de beleza, pensando comparativamente e avaliando demoradamente as nuances das suas imperfeições. Idealizando a beleza a que aspiram, delimitando os pormenores dessa espetacularidade e valorizando intensamente cada conquista/melhoria nesse campo. Derradeiramente acabam  por se definir pela aproximação do tal aspeto, muitas vezes esquecendo que a verdadeira beleza é o lado individual da que cada um possui. Vivendo no elogio alheio uma experiência marcante em que tiveram um gosto dessa vida a que aspiram.

Neste contexto competitivo ,antagonicamente vivem aqueles cuja beleza é alvo da inveja, todavia para os próprios, essa mesma “beleza” torna se banal. Um elogio a essa beleza é uma constatação óbvia e algo que já foi tão repetido que é necessário um insulto para chamar a atenção de alguns destes seres. A beleza não é um deleite para os que a vivem na primeira pessoa, não ficam a analisar com detalhe esse esplendor. Lembram-se dela quando comparados aos que não a possuem e quando começam a ter medo de estar a perde-la, antes dessa fase tornam-se insensíveis à sua beleza unanime. Da mesma forma que alguém que tem as duas pernas não fica radiante por ter as duas pernas  até ver alguém que não tem esse privilégio ou quando está na iminência de ele próprio deixar de tê-las a funcionar corretamente.

Tornando se a beleza algo que quando vivida segundo as coordenadas dos outras é dolorosa ou indiferente, a grande moral desta história é personificares a alternativa de viveres a tua beleza. Aceitares o belo que há naquilo que és e celebrares a beleza que há no mundo evitando medires te por aí é a forma de conciliar beleza e bem estar.

Por tudo isto, sumariando o acima descrito e citando a resposta que dei ao meu irmão –  Cala-te! Os meus pés são lindos – Aproveitem, os melhores cumprimentos para os vários milhões que congregaram atenções neste texto.

domingo, 23 de Junho de 2013

"Sejam realistas, peçam o impossível"

Hoje revisitei o slogan do Maio de 68, há muito escondido da minha memória. Não vou discorrer sobre o sentido do slogan e do seu contexto social e político. Vou apenas sequestrá-lo e forçá-lo a um sentido aplicável a mim, a nós, ao indivíduo contemporâneo.
Ser realista e pedir o impossível não é ludibriar expectativas, colocar metas irrealizáveis e depois entrar num marasmo revoltante, que não só sabota ainda mais o caminho que pode levar às metas como nos pode atirar para uma navegação cabisbaixa, soturna e sem norte.
O título deste post significa que devemos ter ambição, devemos ser inconformados, exigir o que temos direito e o que achamos justo para nós. O primeiro passo para se ter sucesso nos objectivos propostos reside na dialéctica autoconhecimento/noção do meio envolvente, o segundo passará por uma luta consistente e constante pelos fins, pela capacidade de ser resiliente. E na minha opinião, embora a resiliência varie consoante o ser humano, a variabilidade desse traço de carácter está intimamente conectada com o modo como se definem os objectivos (consoante o realismo dos mesmos). Há  uma outra questão pertinente em relação a este assunto. Por vezes, o foco num objectivo que até é realizável a longo prazo, mas que tem de ser obrigatoriamente precedido por várias etapas, ou por um espaço longo de tempo, pode levar à queda, como quando se tenta subir lanços de escadas de 3 em 3 para de forma mais célere se chegar ao topo. Perde-se de vista o imediato, o que é importante, e perante uma má gestão de expectativas, surgem a desmotivação e a descrença. Nada disto é fácil, não somos máquinas, não somos alemães, somos pessoas, somos latinos.
Termino este périplo com a forma de pensar que tento forjar em mim e que me fez reparar particularmente neste slogan, quando hoje o vi numa revista. Há que ser ambicioso (uma ambição terrena, com uma pitada etérea), não podemos ser agrilhoados pelos constrangimentos sociais, pelas experiências e sensações negativas. Não nos contentarmos com o normal, o razoável, o insosso, seja com um trabalho, com amizades, com relações amorosas, deve ser um princípio de vida. O normal é melhor que o mau, mas o que esta vida tem para oferecer em termos de bom, óptimo e excelente é infindável, portanto, meus amigos, sejam realistas, peçam o impossível.
 
 
 
Tchucholini Carpaccio

terça-feira, 11 de Junho de 2013

Apetecia-me escrever

 
 
Mas a sensação é de não ter nada para dizer, apetece-me deambular, ir vendo no que é que dá, espreitar por trás da esquina, respirar, cheirar, tocar, rir. Apetece-me levantar a moral das pessoas que merecem, das pessoas que são boas. Apetece-me ter pena daqueles que são mesquinhos, egoístas e superficiais. Uma vénia a quem respeita, uma vénia a quem valoriza. A vida é uma sucessão de momentos, uns iguais aos outros, estamos contemporânea e sociologicamente formatados para desvalorizar os bons momentos, as boas pessoas. De repente olhamos para trás e o momento agiganta-se, já passou, já não os temos, talvez não se repitam. Por outro lado parece que há uma fúria social competitiva em que acabas por não conseguir desfrutar o tempo próprio do momento.
Este baile de máscaras social que ora me repugna ora me encanta. Queremos mostrar o melhor de nós, amostra que muitas vezes não existe, queremos esconder o que é aparentemente reprovável, quando é no pormenor, no defeito, na particularidade, que se cria o carácter especial, único e marcante do ser humano. É a minha opinião. Não sei se é da idade. Mas chegando aos 32 anos estou farto do normal. Não tentes ser igual aos outros, deixa a tua marca. Podes não ser o melhor, mas podes ser particular. E quem não gosta de ter algo único? Eu tenho o orgulho de conhecer 2 ou 3 pessoas únicas, e garanto-vos que são as melhores pessoas.


Uma boa música, um bom livro, um bom filme, uma boa paisagem, uma boa acção, uma boa reflexão, um bom texto. As sensações subjacentes a estes objectos\actos partilhadas com quem tenha a mesma filosofia de vida, isso sim parece-me a verdadeira vida. Atenção, falo de pessoas, de amigos, família, etc. Estas ideias lançadas atrás poderiam, para os mais incautos sugerir a ideia de relações amorosas. Oh que se foda o amor (pelo menos para já), há mais na vida para desfrutar, muito mais, e ficarmos reféns da ideia de que as boas coisas da vida só fazem sentido com alguém ao lado é estarmo-nos a privar da vida.
Este texto não foi escrito para ter sentido, para ter um esqueleto interno ou sequer um fio condutor. Como disse, apetecia-me escrever, sem ter ideias, andando, tropeçando, erguendo e esvaziando.
 
PS: Estou a começar perversamente a gostar desta ideia de fingirmos estar a escrever para um público quando ninguém lê isto.
 
 
El Pseudo Tchucho

quinta-feira, 6 de Junho de 2013

Badeçocomi

Bom dia/tarde/noite.

Depois do primeiro texto, a adaptação e grande motivação com novos objectivos a juntar a uma nova organização de tempo,definiram uma distância de umas semanas(quase 2 meses) até ao segundo. Isto que aparentemente não é algo assim tão importante/interessante, cumpre uma dupla função de,primeiro, servir como uma justificação para mim próprio para este atraso nas minhas ambições para o blog e segundo é excelente para fazer a ponte com o tema e puxar o fio condutor deste texto,porque junta as várias palavras chave do que vou expor,isto tudo na primeira frase.Vejamos:

motivação, esse motor para o sucesso que ,qual motor de um Punto de 94, tantas vezes falha e significa uma queda para o insucesso. A facilidade com que sentimos " cliques" negativos que nos levam para baixo é incomparavelmente superior à capacidade de ouvir ou utilizar os positivos para nos sentirmos bem. A maldita e ao mesmo tempo abençoada "balança dos cliques". O amargo do clique negativo abundante é o que nos leva a estar uma vida inteira à procura de estarmos realmente satisfeitos e o que nos mantém "a correr". Se o verdadeiro prazer está no caminho e a felicidade só pode existir como um momento, quanto mais caminhares por estar insatisfeito,mais te expões à felicidade. Parado o feliz torna-se o normal e rapidamente acaba como o mau.Então anda!Tens de andar para criar os tais momentos para ti. Sejam como forem,são os teus momentos,não há só uma maneira boa para viver a vida,tens de andar,sobreviver a muitos cliques e fazeres um caminho a que possas chamar o teu caminho,de modo a poderes ser feliz mais vezes.

Objectivos, na sequência do que escrevi ,e no auge do meu arrojo de opinar sobre como podes viver a vida, um homem só é homem se tiver objectivos. Tenho a plena convicção de que só vivendo com objectivos definidos por ti é que vives e deixas de sobreviver, tens de ter a coragem de pôr a fasquia alta para ti e esticares os limites.Em criança só quando esticas ao limite o risco de ires desamparado com os queixos ao chão é que começas a andar. O começar a andar aqui também tem o lado simbólico da evolução,evoluis cada vez que esticas os limites em prol de um objectivo,quer consigas quer falhes. Estas metas que acabam por ser os objectivos a que te propões alcançar,balizam a evolução para ti próprio nesta luta de esticar o limite. Um homem precisa de ter sonhos! Eu lembro-me por exemplo de um dos vários sonhos que tenho(Sim, que eu quando é para sonhar não tenho vertigens vou lá bem ao alto) tenho o sonho de que o meu irmão um dia leia isto e que a par do que tento ser para ele,que isto o inspire a tentar ser melhor por ele e pelos dele e a continuar a ter a autenticidade em tudo o que tenta fazer, basta isso para o blog ter sido um sucesso do outro mundo(se ler mesmo,aproveitar também e que o inspire a estar uma distância de segurança da droga,álcool e herpes).

Organização, por coincidência,a última palavra que vou buscar à primeira frase do texto pode ser também o fim para qualquer boa intenção de caminho.Esta parte na minha pessoa ainda é um ponto que estou a trabalhar como podem perceber pela minha incapacidade de gerir coisas novas na minha rotina e cumprir prazos,mas em breve vou fazer uma vítima de TOC(transtorno obsessivo compulsivo) ficar impressionada(com o gigante respeito que me merecem não será nada fácil ter a doença e um dia vou dedicar um texto ao tema) . Só racionalmente não conseguimos chegar lá, das últimas vezes que me tem parecido que começava um caminho que podia ajudar a ser uma melhor versão de mim próprio falhei na confusão de prioridades, de preocupações e consequentes medos. A organização é a base que te permite ter disponibilidade para este encadeamento, ou seja só a organização possibilita que a motivação se traduza em objectivos. A auto disciplina que tanto se elogia não é mais que organização mental de prioridades,seres coerente com essa organização e não te expores a situações que influenciem negativamente a tua vida arrumando a tua rotina e estipulando convivência com pessoas e situações em função do que queres para ti. Auto disciplina que como conceito agrada mas pensando nos tempos que correm e pelo estilo de vida contemporâneo é sinónimo de ser certinho ou retrógrado,mas la esta um texto de cada vez,foi bom voltar… Os melhores cumprimentos DN.