sábado, 31 de maio de 2014

Andiamo tchucharini

Quando a inspiração não toca à porta, há que abri-la e descer as escadas. Por vezes a dor de criar na escrita em momentos de claro deserto criativo, assemelha-se à dor de ir treinar ao ginásio num dia em que estás off. Normalmente ambas desvanecem à medida que o processo vai decorrendo. É preciso é ir, tentar, fazer, caso contrário o campeão voltou (a passividade, o conforto, a falsa segurança, a preguiça, estrelas de um plantel fortíssimo, difícil de bater).
A não tentativa é um paradoxo, uma ambiguidade pérfida, pois leva ao conforto imediato, mas conduz a uma frustração crescente e à desilusão a longo prazo. De repente damos por nós longe do destino a que nos propusemos vagamente, pois a não tentativa anda amiúde de mãos dadas com a vacuidade e a errância dos propósitos, tudo junto conduz a uma salada de pouco ou quase nada.

Nunca tive nada de tão sólido na vida como o tabaco e o álcool, aqueles com "quem" eu podia contar sempre independentemente da direcção em que o vento soprasse. Quando perdes um amigo e entras em conflito com o outro, as coisas não ficam mais fáceis, mas a esperança é a de que com o decorrer do tempo, outros amigos, verdadeiros amigos, daqueles de não te levam à morte mais cedo, daqueles que não te fazem sentir que está tudo brutal no momento, e que paulatinamente te vão consumindo cada bocado do corpo.

Quem conseguir fazer a distinção no momento na decisão imediata com o resultado a longo prazo no horizonte, e fazer disso uma rotina integrada, terá tudo para vencer, para chegar.



SP

quarta-feira, 28 de maio de 2014

E porque não?

Este vídeo é em português, 3 minutos e qualquer coisa, às tantas não sei se sou eu que me quero identificar e fui buscar significados ou se os significados me vieram buscar a casa. Podes sempre ver como é contigo, aqui vai o link:

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=6URCn7nFMk4

Voltarei a este tema um dia, quando me sentir com corredores mais iluminados.


Aquele abraço/beijinho.


DN

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Duas especulações e uma lição

Ponto prévio: É impensável pagar 20€ de taxa moderadora e 5€ centro de saúde!
É difícil de acreditar que uma consulta neste mesmo centro de saúde, para alguém que tem um sintoma que provoque qualquer tipo de mal estar de forma contínua,leva um a dois meses. Ainda nesta (ir)realidade, para algo que não seja uma urgência óbvia, parece haver um padrão que perpassa o percurso que tantos seguem. Após o tempo à espera para a 1ª consulta, passas pela primeira fase em que te é administrado um fármaco mais abrangente, depois nova consulta daqui a duas semanas, ainda com sintomas? Bem…Vamos tentar exames mais detalhados e novos medicamentos mais específicos para o sintoma que estiver pior, mais duas semanas. Agora vais mostrar os resultados e falar das reações ao medicamento, está feito o despiste já é aceitável marcar uma consulta para a especialidade e passaram quase dois meses…É possível  que do ponto de vista económico possa ser vantajoso para o estado,  não ires logo à especialidade nem fazeres exames muito caros, desistires consome menos recursos e obriga a menos empregados na área. As pessoas simplesmente acabam à espera de ver se se vai desenvolver para algo mais ou desaparecer. No caso de vir a ser algo mais e se tiveres a possibilidade, adquires um seguro de saúde, vais à especialidade no privado, fazes os exames e tens a atenção que compras. Não repetes o mesmo tipo de esperas para marcar consulta  e o preço não é assim tão diferente hoje em dia. No caso de não teres,tens de ter sorte como médico ou seres muito persistente e entretanto já passaram uns meses de avanço da doença.
  Quando tu te habituas a pagar por algo tão primário, fazem te acreditar que é indispensável que seja assim, amanhã a saúde é privatizada e tu dás como dado adquirido que era inevitável porque já estás a ser preparado há uns anos. Transportas a diferenciação do ter ou não poder económico também para este sector. Não é aceitável que, do ponto de vista mais mecânico onde começa e acaba a vida, sejas sujeito à aplicação deste tipo de paradigma como se fosses adquirir um serviço facultativo. Qual é o preço da saúde? O que diferencia um direito de um bem transacionável? Há uma igualdade sustentável na saúde?
Um ponto de partida para desconstruir qualquer proposta num sistema capitalista é fazeres uma pergunta de base, quem ganha com isto? As seguradoras passam a ser a garantia desse crédito para a saúde. Ora as seguradoras tendo a chave mestra, ficam com uma fatia grande do benefício desta “ideia”, mas estas instituições apesar de não serem imaculadas e terem poder,não parecem ter o peso necessário para algo deste género. A questão é  que resumidamente as seguradoras não são mais do que extensões de agências bancárias, a AÇOREANA é do BANIF a  OK TELESEGURO é da FIDELIDADE e são ambas da CAIXA GERAL e a TRANQUILIDADE e LOGO fazem parte do grupo BES, assim num esquema com uma matrioska de influências, torna-se um bocado mais razoável imaginar estas entidades com este tipo de poder…
Num sistema em que tem mais peso e poder de decisão o poder económico do que o político, condicionar o sector público de maneira a servir esta agenda, chocava tanto com a prescrição de multas no caso BCP.  A par da Sangria que se faz na Costa da Caparica, que também engana muito,tanto os seguros como a banca enquanto conceito podem ajudar, mal utilizadas podem ser muito perigosas. Todavia, pedindo emprestada a ideia de Freud,  a única força maior que a atómica é a força de vontade e tudo isto é alimentado por pessoas e pode ser mudado por pessoas que expressem essas vontades…(Menos em relação à sangria, ai não há nada a fazer, é não ir…)

DN


segunda-feira, 5 de maio de 2014

Há 14 anos atrás

Hoje revisito o passado, viagem longa, reminiscência distante, quase perdida no horizonte da memória.
O título do ficheiro é poema mongo, mongo, mongolóide, eram palavras muito em voga no estertor do século XXI. Já o título do poema remete para um final de adolescência atribulado. Mal eu sabia o que era a vida.

Desilusão

Eras pedra, transformaste-te em pó
Eras vida, … cedeste
Vivi para ti, ignoraste-me
Por causa de ti sinto-me só

Tanto esperava de ti, desiludiste-me
Melhor para ti, irias sofrer
Com a desilusão posso eu bem
Será que aguentarás o transtorno?

Iludi-me com a tua perfeição
Tu não reagiste à minha paixão
Perdeste-te na tua confusão
Espero que não durmas em vão…

Do sol vive a vida
Da ilusão vivi eu
Tempo perdido ou não
De certeza que mais virão


domingo, 4 de maio de 2014

Vade retro Insomnia

Hoje vou discorrer neste blogue, acerca do meu maior problema da actualidade, e do último ano: insónia intermédia. Escrevo este texto por mim, e se alguém com o mesmo problema o ler, ficarei feliz se conseguir ajudar, seja com este ou com um futuro texto (pois espero daqui uns tempos publicar um texto já com o problema resolvido e com as soluções que terão sido postas em prática).
Adormecer não é um problema na maior parte das vezes, a dificuldade ocorre no acordar durante o sono, uma, duas, por vezes três vezes por noite, o que torna o descanso pouco reparador, e castra a capacidade mental no quotidiano. Como devem calcular isto torna-se desesperante em algumas ocasiões, mormente quando sentes que fazes tudo ou quase tudo o que a informação pericial te indica: não beber café depois das 16h, usar horários regulares de deitar e acordar, não ver tv antes de deitar, não comer refeições pesadas à noite.Sou um praticante regular de exercício. Até deixar de fumar deixei, há 2 meses, depois de 17 anos a fumar com um interregno de 3 anos pelo meio. Actualmente o que ando a pôr em prática é não sair à noite, nos últimos 2 fins-de-semana não saí e tentei manter a tal regularidade. Ainda me faltam gastar alguns cartuchos, como limitar o número de horas na cama, e usar o quarto só mesmo para dormir. A partír daí só me resta ajuda profissional, pois o sono é demasiado importante para a saúde, e para a prossecução dos objectivos.
Voltarei a este tema mais à frente, espero que ainda este ano.



Cumprimentos e muita força,

SP




sábado, 3 de maio de 2014

Homenagem à Frau

A tua dona não vai saber que eu fiz isto, como não soube a confusão que me fazia a tua existência quando te apresentou e como não soube o quanto estranhei a tua ausência no fim.

Frau, diminutivo do alemão Fraulein, qualquer coisa como senhorita em português e eu até há pouco tempo pensei que queria dizer princesa. Tão apropriado que era quase perfeito. Para além de Fraaaaau ser, por coincidência, muito parecido a pôr por escrito o som do miar de um gato...Havia ali qualquer coisa de aristocrata na maneira desta gata existir. A gata não se alterava, tão típico das princesas para quem alterar-se era demasiado mundano e era contra o tipo de comportamento que deviam exibir em público,ela raramente se "irritava" ou estava demasiado entusiasmada. Esta gata não vinha constantemente contra a tua perna ou miava para te chamar a atenção, parecia não precisar dela e de alguma forma dá-la por garantida. A Frau não gostava da rua, vinha à janela, poderia vir à zona das escadas mas não se afastando mais que 50cm da porta da entrada em nenhum momento, vivia no seu palácio e misturar-se com os da rua era um disparate no qual não acreditava. 

Esta gata conseguiu desconstruir para mim o mito de que devemos desconfiar de todos os gatos porque são traiçoeiros. O mito que a religião cristã criou para diabolizar um símbolo da cultura egípcia, cultura essa que tinha uma abordagem pagã oposta ao sistema de crenças cristão (os gatos eram sagrados no Egípto e havia a deusa Bastet que era um gato). Aliás, como de resto diabolizou outras tantas figuras de culturas diferentes com o mesmo objectivo. Por exemplo o Deus grego Poseidon e o seu tridente antecedem o que na cultura cristã veio a ser utilizado como um acessório da figura do Diabo,não a pondo à frente ou atrás de outras religiões mas este mito deixou de funcionar comigo. A Frau rompeu com alguns medos que foram incutidos na minha educação e com o tempo conquistou-me, tornando-se uma gata anti-stress a quem volta e meia pedi emprestado o pelo para, com umas festas, destilar alguma azia que os problemas traziam. Entretanto o meu pai comprou um desperdício de tapete a quem chama gato, uma reencarnação de Lúcifer que me fez perceber ainda melhor que esta gata era incrível. Por isso este texto também não é para ser percebido como uma exaltação dos gatos.

Passou mal nos últimos tempos, mas lutou que nem uma campeã, soube há pouco tempo que morreu passados uns 15 anos. Este texto não é para ela, porque apesar de incrível nunca deu sinais de saber ler. O texto é para mim, é uma tentativa de dar alguma resposta à estranheza de saber que morreu A Gata e saber que sou dos poucos que pode perceber o que quer dizer o que digo quando digo que: Um dia gostava de ter, não um gato,mas uma Frau.


DN


quinta-feira, 1 de maio de 2014

1º de Maio

         Estreio-me neste blogue com a sensação de quem vai para o primeiro dia de ginásio não fazendo desporto há bastante tempo. Há largos meses que não escrevo nada.
         Hoje é um dia bastante simbólico, é o  dia do trabalhador. Um dia celebrado como feriado em diversos países pelo mundo fora e cuja origem do mesmo remonta a 1886 derivado a uma gigante manifestação ocorrida no Estados Unidos da América por trabalhadores que exigiam a redução da jornada de trabalho para 8 horas. Em 1890 finalmente o congresso americano acedeu às pretensões dos trabalhadores americanos. Curiosamente o colosso norte-americano nunca reconheceu o 1º de maio como feriado. 
              Nos dias que correm, ter trabalho é considerado, de certa forma, um privilégio. Pessoalmente, considero que a palavra privilégio deveria ser usada quando o indivíduo tem um emprego em que se sente bem, seja pelo que faz e/ou pelo que ganha. Mas a doutrina do obscurantismo, cujas elites económicas e políticas reproduzem geração após geração encontram-se mais eficazes que nunca. Conforma-te pois tens vivido acima das tuas possibilidades, tens sonhado acima das tuas hipóteses. Austeriza-te pois não és um valor acrescentado. És um parasita que tem de alimentar a máquina, e que mais na tarde na velhice se tornará dispensável. 
                  Termino dizendo, que precisamos de mais 25 de abril, de mais 1º de maio, infelizmente julgo não ser possível tão cedo. A máquina está demasiado bem oleada. Eles comem tudo Zeca.