Ponto prévio: É impensável pagar 20€ de taxa moderadora
e 5€ centro de saúde!
É difícil de acreditar que uma consulta neste
mesmo centro de saúde, para alguém que tem um sintoma que provoque qualquer
tipo de mal estar de forma contínua,leva um a dois meses. Ainda nesta
(ir)realidade, para algo que não seja uma urgência óbvia, parece haver um padrão
que perpassa o percurso que tantos seguem. Após o tempo à espera para a 1ª
consulta, passas pela primeira fase em que te é administrado um fármaco mais
abrangente, depois nova consulta daqui a duas semanas, ainda com sintomas?
Bem…Vamos tentar exames mais detalhados e novos medicamentos mais específicos
para o sintoma que estiver pior, mais duas semanas. Agora vais mostrar os
resultados e falar das reações ao medicamento, está feito o despiste já é
aceitável marcar uma consulta para a especialidade e passaram quase dois meses…É possível que do ponto de vista económico
possa ser vantajoso para o estado, não
ires logo à especialidade nem fazeres exames muito caros, desistires consome
menos recursos e obriga a menos empregados na área. As pessoas simplesmente
acabam à espera de ver se se vai desenvolver para algo mais ou desaparecer. No
caso de vir a ser algo mais e se tiveres a possibilidade, adquires um seguro de
saúde, vais à especialidade no privado, fazes os exames e tens a atenção que
compras. Não repetes o mesmo tipo de esperas para marcar consulta e o preço não é assim tão diferente hoje em
dia. No caso de não teres,tens de ter sorte como médico ou seres muito
persistente e entretanto já passaram uns meses de avanço da doença.
Quando tu
te habituas a pagar por algo tão primário, fazem te acreditar que é
indispensável que seja assim, amanhã a saúde é privatizada e tu dás como dado
adquirido que era inevitável porque já estás a ser preparado há uns anos.
Transportas a diferenciação do ter ou não poder económico também para este
sector. Não é aceitável que, do ponto de vista mais mecânico onde começa e
acaba a vida, sejas sujeito à aplicação deste tipo de paradigma como se fosses
adquirir um serviço facultativo. Qual é o preço da saúde? O que diferencia um direito
de um bem transacionável? Há uma igualdade sustentável na saúde?
Um ponto de partida para desconstruir qualquer
proposta num sistema capitalista é fazeres uma pergunta de base, quem ganha com
isto? As seguradoras passam a ser a garantia desse crédito para a saúde. Ora as
seguradoras tendo a chave mestra, ficam com uma fatia grande do benefício desta
“ideia”, mas estas instituições apesar de não serem imaculadas e terem poder,não parecem ter o peso necessário para algo deste género. A questão
é que resumidamente as seguradoras não são mais do que extensões
de agências bancárias, a AÇOREANA é do BANIF a OK TELESEGURO é da FIDELIDADE e são ambas da
CAIXA GERAL e a TRANQUILIDADE e LOGO fazem parte do grupo BES, assim num
esquema com uma matrioska de influências, torna-se um bocado mais razoável imaginar estas
entidades com este tipo de poder…
Num sistema em que tem mais peso e poder de
decisão o poder económico do que o político, condicionar o sector público de
maneira a servir esta agenda, chocava tanto com a prescrição de multas no caso BCP.
A par da Sangria que se faz na Costa da
Caparica, que também engana muito,tanto os seguros como a banca enquanto
conceito podem ajudar, mal utilizadas podem ser muito perigosas. Todavia,
pedindo emprestada a ideia de Freud, a
única força maior que a atómica é a força de vontade e tudo isto é alimentado
por pessoas e pode ser mudado por pessoas que expressem essas vontades…(Menos em relação à sangria, ai não
há nada a fazer, é não ir…)
DN