quinta-feira, 24 de abril de 2014

terça-feira, 30 de Julho de 2013

Sem título

Hoje fui dos últimos a sair do ginásio, nunca tal me tinha acontecido. O ginásio fecha às 22 horas e às 21:50 éramos cerca de 10/12 pessoas lá dentro a tocar os últimos acordes. Para um ginásio que costuma ter, com regularidade, cerca de 80/100 pessoas, esta foi uma experiência diferente, mais intimista, sem o corrupio das horas ditas normais (já nem digo de ponta, porque aí é o caos e a espera para fazer cada exercício é exasperante, tornando pouco prazerosa a experiência de ir ao ginásio). Senti-me bem, é uma experiência a repetir, e para adensar ainda mais esta experiência, saí do ginásio e fui envolvido por uma brisa tépida, inspirei fundo várias vezes, parei, olhei para o céu feito maluquinho no meio da rua na esperança de ver um céu alentejano, e depois pensei "que ingénuo, estou em Lisboa". Cheguei perto do carro rapidamente e já sabia que a partir do momento em que entrasse no carro iria direito a casa e o dia terminaria aí. Tentei arrastar ao máximo o processo de entrar no carro. Olhei para o telemóvel, vi uma chamada não atendida da minha mãe. Liguei-lhe, quis falar ali com ela, fora do carro, quis inspirar aquela temperatura amena enquanto trocava um diálogo prosaico com ela. Entrei dentro do carro, liguei o motor, e comecei a descer à rua em direcção ao lar. Na cabeça estava a vontade de ir directo à praia, apesar do adiantado da hora. Faltou-me a coragem e imperou a lógica, o excesso de racionalidade que tantas vezes é necessária para a vida ser equilibrada. De um lado a vontade, a sensação, do outro os óbices: trabalho no dia a seguir e acordar às 8 da manhã, o ter que preparar a comida para o dia seguinte, o dinheiro gasto em gasolina por uma hora na praia, o ir sozinho. Não gosto da vida com estas amarras, mas neste momento este tipo de racionalidade é um mal extremamente necessário e edificador.
Por vezes o barco necessita de ficar ancorado algum tempo antes de se lançar ao mar, e aí começa a aventura, pegas no leme e navegas, deixando o mar e o vento fazerem o seu papel, não há amarras, há bússolas e mapas que horas usas ora guardas, há mundo por desbravar, a descoberta, uma das mais belas coisas da vida.

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