quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

O Tanaka e o Carocho

Numa semana de vida dura, embora dura seja a vida do Carocho, dois indivíduos tão afastados de mim como qualquer um de vocês alumiaram o breu que resolveu habitar em mim recentemente, sem qualquer autorização prévia, e sem qualquer explicação que se preze.
Vou começar pelo Tanaka, jogador do Sporting, o meu clube. Ok é futebol, mas quem gosta de futebol sabe bem o prazer de ganhar no último minuto, é raríssimo e extremamente vibrante. O herói neste caso, foi o improvável Tanaka. Por gozo e por feeling durante o início da 2ª parte mandei mensagem a um amigo sportinguista a dizer "hoje é Tanaka aos 90". E aconteceu. Mas já mandei 100 bujardas destas em que nunca acertei. O que mais apreciei no facto de ter sido o bombardeiro japonês a marcar o golo da vitória foi o facto de desde que chegou ao Sporting me parecer um jogador bem formado, modesto, afável, com um carisma tranquilo e discreto.
Agora salto para o Carocho, a denominação em si possivelmente ofensiva, mas só tenho elogios a fazer à pessoa em questão, um arrumador da zona onde vivo que tive o privilégio de conhecer no fim-de-semana passado. Vinha eu de casa da minha mãe depois de um almoço familiar, quando me deparei com uma dificuldade extrema em estacionar, e em 20 minutos tinha que me pôr na primeira sessão de um curso de meditação e já estava à rasca. Eis que passo por um lugar sinalizado por um arrumador. Quando vou a fazer a manobra para estacionar ocorre-me que não tinha dinheiro. Ainda a meio da manobra abro o vidro e digo em vernáculo "tuga" "caga, não tenho guita". Resposta pronta do Carocho "Então, achas que não vais arrumar o carro por causa disso, estaciona", enquanto executava a mímica inerente à função. Eu, surpreendido com a atitude, agradeci, e perguntei-lhe até que horas ele ia andar por aquela zona. Ele respondeu 7 horas. E eu disse "eu moro aqui na zona, vou ao ginásio (não sei explicar porquê mas senti constrangimento em dizer que ia para um curso de meditação) e quando voltar dou-te alguma cena", ao que ele novamente com prontidão respondeu "achas, não há problema, esquece isso". De referir que ao longo da curta conversa ele me chamou irmão por 3 ou 4 vezes. Quando voltei ao final da tarde não o encontrei. Domingo voltei a não o encontrar. Na segunda já a sensação de agradecimento se tinha desvanecido, já estava de volta às minhas trevas e até o vi quando estava a chegar o trabalho, mas decidi vir logo para casa e sair de seguida. Mas terça, voltei a ter clarividência. Tinha novamente que deixar as coisas em casa e sair rapidamente, mas pensei "que tipo de merdas sou eu se ando sempre a criticar os corruptos, os superficiais, os ensimesmados, se ando sempre a pensar em fazer qualquer coisa para ajudar (normalmente este pensamento\sensação é de uma abstracção atroz a roçar a hipocrisia moralista) e acabo por nunca fazer nada de concreto. Peguei em mim, e fui até à rua ter com ele e perguntei "lembras-te de mim? deixaste-me estacionar no fim-de-semana e não te dei nada por não ter dinheiro" e mais uma vez "sim irmão, tranquilo na boa". Dei-lhe 2 euros, perguntei se fumava, dei-lhe 2 cigarros. Ao qual ele reagiu "eia irmão não era preciso" e eu "era era, por tu seres assim é que mereces mais. "Boa sorte e força nisso" continuei. Retorquindo ele "Para ti também irmão" disse o professor ao aluno. Disse o homem ao carocho.




PS: Já reflecti sobre o texto e sobre a parte que me coube na atitude que tive, que foi essencialmente reactiva, logo desprovida da qualidade de mérito que a iniciativa sempre contém. E ainda não me consegui perceber; se a atitude que tive foi mais para me sentir melhor comigo mesmo, ou se sou realmente mais boa pessoa que má pessoa. E se o texto que escrevo é mais para mostrar-vos (e mostrar a mim próprio) que há pessoas que nos podem surpreender pela positiva, para influenciar comportamentos positivos e bondosos ou se serve mais para mostrar que pratiquei uma boa acção (e mais uma vez me sentir melhor comigo mesmo). Peço desculpa pelo recurso abusivo neste último parágrafo do "mais" "mais". Poluí um bocado o texto, mas o objectivo foi jogar com dualidades que não se excluíssem, porque por mais solidariedade que tenhamos, por mais bondade que tenhamos, em última instância ajudar consiste em sentirmo-nos bem connosco. Copo meio cheio ou meio vazio seria o resultado final do raciocínio. Nesta deambulação, ao minuto 90 careci de um Tanaka. Vou para a cama com um empate.

    Votos de uma boa noite

Non Tchuche

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Texto 4minutos II

Eva: Olha este miúdo estupido que me esta a irritar e a obrigar a fazer esta cena que eu não quero.

DN: A Eva* não quer cooperar comigo nesta ideia.
A dificuldade associada a expormo-nos a coisas novas não pára de me surpreender, distrair uma pessoa enquanto escrve, nas raras vezes que ofaz, é crime!! Recuperando a ideia do receio de falharmos, quando falhar é não tentar na maior parte das vezes, que processos de formatação nos constrangem desta forma? É natural nos seres vivos? Não me lembro da última rapoZa envergonhada que vi, uma bvaleia a corar um leão a gaguejar com os nervos…Nada.
Ainda assim, a Eva tem receio de não escrever o texto perfeito, sem moral para grandes considerações, afinal de contas eu não canto em karaokes pela mesma razão, ou falta dela.
Ano novo vida nova. Ou não. Vamos ver.
·         A escolha do nome, foi um processo completamente aleatório, em que a “Eva” escolheu ser a “Eva”, quando na realidade a sorte ditou que ia ser a Adelaide.

Uma nova tentativa de não controlar o texto aproximadamente durante 4 minutos sem apagar muito.

DN


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Algo

Este texto serve para expressar a minha estupefacção, choque, indignação, revolta acerca do atentado terrorista que hoje vitimou 12 pessoas, na sua maioria jornalistas, na redacção do jornal satírico Charlie Hebdo em Paris, conhecido pelas suas capas estrondosas de paródia ao extremismo islâmico, a políticos franceses, ao "extremismo" judaico, entre outros.
Quando algo tão trágico acontece, pomos tudo em perspectiva, de um lado o pinball acéfalo da rotina, do outro o insustentável lastro da perda. Por momentos, aquela discussão, aquela  insegurança, aquela ofensa, aquela preguiça, aquilo a que eu chamo das nossas magnas ninharias, tornam-se ridículas, e ínfimas, Pouco depois, a sensação passa e voltamos à nossa vidinha com a mesma atitude de sempre.
Esta é mais uma ferida aberta numa humanidade com uma noção discutível do bem e do mal, dos limites. É um mundo com uma hemorragia contínua de valores, com metástases capitalistas, um desrespeito pela vida humana atroz, o individualismo no seu apogeu.

Concluo dizendo que estes animais que de forma arbitrária destruíram uma ramificação de vidas com um número bastante superior a 12, quando forem achados provavelmente não se renderão e morrerão, o que na minha opinião terá um sabor a injustiça, pois deveriam viver encarcerados o resto da vida,
Presto a minha homenagem às vítimas deste atentado com este texto e com os meus pensamentos.


Jusqu'à ce que jamais

Ano novo, Vida nova

Após uma longa ausência (o último post data de 10 de junho), volto, desta feita, para "valer", comprometendo-me a não escrever mais no blogue se um outro desaparecimento desta monta voltar a suceder.
Posto isto, espero que estejam todos bem, ou pelo menos que estejam a fazer por isso. Neste interregno perdemos um dos nossos leitores mais assíduos, o ex-primeiro-ministro José Sócrates. Restam 3, a fazer lembrar os jogos do Leiria na 1ª liga.
O bloque em breve poderá sofrer algumas alterações gráficas, e também faz parte dos nossos objectivos variar o conteúdo, de sem rumo para um pouco de tudo. À primeira vista parecerá que estou a falar de farinha do mesmo saco, mas é mais um sortido de biscoitos ( não, não consumo drogas, e por utilizar a palavra biscoito sublinho que sou heterossexual, pois depois de ter escrito biscoitos já só estava a imaginar o Bruno Nogueira aqui à volta "ai que panisga, é o biscoitinho é?". Biscoito é de homem, então e o molhar o biscoito do Gabriel o Pensador?

Caríssimos: desejo-vos um ano tão bom como o que eu vou ter. Se após lerem alguns textos deste blogue se identificarem de alguma forma e tiverem vontade de participar manifestem-se.


Beijos e Abraços 
The Tchuchatov