quinta-feira, 5 de junho de 2014

Cartão de visita: Pessoa Ocupada

Ando sempre a correr enquanto apenas ando. Agitação interna que quando exposta ao público provoca convulsões de sintomas de ocupação porque o nada não chega.

A percepção de não estar a fazer nada cresceu com o meu crescimento. Agora se estiver numa esplanada à espera sozinho vou estar a mexer no telemóvel a parecer ocupado, não vão os outros pensar que não estou a fazer nada…Se passar por um grupo de pessoas, estou à procura de qualquer coisa no bolso, não vá o júri sentir que estou pouco natural ou a andar mal...Durante uns tempos passeava com um dos Ferraris da ocupação, o tabaco, fazia-me estar sempre a fazer qualquer coisa paralelamente ao suicido gradual que se comete a cada bafo. Aqui quem quiser ser mesquinho pode perguntar o que é a vida se não um suicídio progressivo? Na minha opinião é viveres com intensidade muitas vezes…aí o tempo diluí-se na vida e com isso a ideia de inevitabilidade. Tens , por exemplo, semanas que passaram em horas para ti, mas tens segundos,como por exemplo quando bates com o carro, que parecem ter demorado mais que estas semanas. A discrepância reside na forma como vives o acidente sem preocupação com o que pensam ou com o que pareces, estas só ali, focado no que estas a viver e sensível a tudo o que envolve o momento. É para mim a diferença entre um tipo de vida e outro, a intensidade. És programado para antecipar o que os outros pensam, é cultural, desde as primeiras comunidades é uma fórmula que salva vidas e cria hierarquias, mas precisas de equilíbrio e de te esqueceres mais vezes deste lado. Viver acima de sobreviver..

Paradoxal, mas apenas é possível Viver, combinando a intensidade com equilíbrio, se levares à letra o carpe diem também és menino para falecer antes de puder experimentar muito do que esta no menu da tua vida...Mais contraditório, eu do cume da minha sapiência escrevo isto mas, vivo inquieto com tiques de ocupado a cada esquina da minha rotina. Estou empenhado em melhorar e ficar vulnerável a ser ridículo e estar desconfortável mais vezes, para ser mais parecido com uma melhor versão de mim,mas está difícil contrariar o meu próprio  movimento... Como diria um guru da comunicação num café ao ensinar-me um truque com elásticos: 

Treina Nobre, treina...  

DN

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