sábado, 31 de maio de 2014

Andiamo tchucharini

Quando a inspiração não toca à porta, há que abri-la e descer as escadas. Por vezes a dor de criar na escrita em momentos de claro deserto criativo, assemelha-se à dor de ir treinar ao ginásio num dia em que estás off. Normalmente ambas desvanecem à medida que o processo vai decorrendo. É preciso é ir, tentar, fazer, caso contrário o campeão voltou (a passividade, o conforto, a falsa segurança, a preguiça, estrelas de um plantel fortíssimo, difícil de bater).
A não tentativa é um paradoxo, uma ambiguidade pérfida, pois leva ao conforto imediato, mas conduz a uma frustração crescente e à desilusão a longo prazo. De repente damos por nós longe do destino a que nos propusemos vagamente, pois a não tentativa anda amiúde de mãos dadas com a vacuidade e a errância dos propósitos, tudo junto conduz a uma salada de pouco ou quase nada.

Nunca tive nada de tão sólido na vida como o tabaco e o álcool, aqueles com "quem" eu podia contar sempre independentemente da direcção em que o vento soprasse. Quando perdes um amigo e entras em conflito com o outro, as coisas não ficam mais fáceis, mas a esperança é a de que com o decorrer do tempo, outros amigos, verdadeiros amigos, daqueles de não te levam à morte mais cedo, daqueles que não te fazem sentir que está tudo brutal no momento, e que paulatinamente te vão consumindo cada bocado do corpo.

Quem conseguir fazer a distinção no momento na decisão imediata com o resultado a longo prazo no horizonte, e fazer disso uma rotina integrada, terá tudo para vencer, para chegar.



SP

Sem comentários:

Enviar um comentário