segunda-feira, 19 de maio de 2014

Duas especulações e uma lição

Ponto prévio: É impensável pagar 20€ de taxa moderadora e 5€ centro de saúde!
É difícil de acreditar que uma consulta neste mesmo centro de saúde, para alguém que tem um sintoma que provoque qualquer tipo de mal estar de forma contínua,leva um a dois meses. Ainda nesta (ir)realidade, para algo que não seja uma urgência óbvia, parece haver um padrão que perpassa o percurso que tantos seguem. Após o tempo à espera para a 1ª consulta, passas pela primeira fase em que te é administrado um fármaco mais abrangente, depois nova consulta daqui a duas semanas, ainda com sintomas? Bem…Vamos tentar exames mais detalhados e novos medicamentos mais específicos para o sintoma que estiver pior, mais duas semanas. Agora vais mostrar os resultados e falar das reações ao medicamento, está feito o despiste já é aceitável marcar uma consulta para a especialidade e passaram quase dois meses…É possível  que do ponto de vista económico possa ser vantajoso para o estado,  não ires logo à especialidade nem fazeres exames muito caros, desistires consome menos recursos e obriga a menos empregados na área. As pessoas simplesmente acabam à espera de ver se se vai desenvolver para algo mais ou desaparecer. No caso de vir a ser algo mais e se tiveres a possibilidade, adquires um seguro de saúde, vais à especialidade no privado, fazes os exames e tens a atenção que compras. Não repetes o mesmo tipo de esperas para marcar consulta  e o preço não é assim tão diferente hoje em dia. No caso de não teres,tens de ter sorte como médico ou seres muito persistente e entretanto já passaram uns meses de avanço da doença.
  Quando tu te habituas a pagar por algo tão primário, fazem te acreditar que é indispensável que seja assim, amanhã a saúde é privatizada e tu dás como dado adquirido que era inevitável porque já estás a ser preparado há uns anos. Transportas a diferenciação do ter ou não poder económico também para este sector. Não é aceitável que, do ponto de vista mais mecânico onde começa e acaba a vida, sejas sujeito à aplicação deste tipo de paradigma como se fosses adquirir um serviço facultativo. Qual é o preço da saúde? O que diferencia um direito de um bem transacionável? Há uma igualdade sustentável na saúde?
Um ponto de partida para desconstruir qualquer proposta num sistema capitalista é fazeres uma pergunta de base, quem ganha com isto? As seguradoras passam a ser a garantia desse crédito para a saúde. Ora as seguradoras tendo a chave mestra, ficam com uma fatia grande do benefício desta “ideia”, mas estas instituições apesar de não serem imaculadas e terem poder,não parecem ter o peso necessário para algo deste género. A questão é  que resumidamente as seguradoras não são mais do que extensões de agências bancárias, a AÇOREANA é do BANIF a  OK TELESEGURO é da FIDELIDADE e são ambas da CAIXA GERAL e a TRANQUILIDADE e LOGO fazem parte do grupo BES, assim num esquema com uma matrioska de influências, torna-se um bocado mais razoável imaginar estas entidades com este tipo de poder…
Num sistema em que tem mais peso e poder de decisão o poder económico do que o político, condicionar o sector público de maneira a servir esta agenda, chocava tanto com a prescrição de multas no caso BCP.  A par da Sangria que se faz na Costa da Caparica, que também engana muito,tanto os seguros como a banca enquanto conceito podem ajudar, mal utilizadas podem ser muito perigosas. Todavia, pedindo emprestada a ideia de Freud,  a única força maior que a atómica é a força de vontade e tudo isto é alimentado por pessoas e pode ser mudado por pessoas que expressem essas vontades…(Menos em relação à sangria, ai não há nada a fazer, é não ir…)

DN


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